Novo milho branco mais nutritivo chega à zona cafeeira colombiana

Pereira, Colombia. 22 de agosto, 2019.

 

Melhorar a nutrição dos colombianos é o objetivo do SGBIOH2, primeiro híbrido de milho branco biofortificado para a Colômbia, produto do esforço entre a iniciativa mundial Harvest Plus e o Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT), com apoio da Federação Nacional de Cafeeiros (FNC) e Semillas Guerrero Asociados (SGA Semillas), em colaboração com programas nacionais de pesquisa. O material foi lançado hoje (22), na Estação Experimental La Catalina, em Pereira, Risaralda, com a participação de cerca de duzentos cafeicultores provenientes de departamentos do eixo cafeeiro.

Este novo híbrido de milho branco biofortificado aproveita a diversidade do branco de germoplasma do CIMMYT, no México; o trabalho do Harvest Plus e seus sócios na Colômbia dedicados a desenvolver cultivos biofortificados, que são melhorados de maneira convencional através de cruzamento, avaliação e seleção no campo, para conquistar variedades mais nutritivas e competitivas. “SGBIOH2 possuí altos teores de zinco, 28% mais que os milhos tradicionais, e conta com um potencial de rendimento superior a 10 t/há na zona cafeeira colombiana, é tolerante a doenças como a mancha cinza e apresenta grão cristalino (duro) demandado pela indústria nacional”, enfatiza Luis Narro, consultor científico do CIMMYT, na Colômbia.

Este primeiro híbrido de milho branco biofortificado é parte do plano de trabalho mundial do HarvestPlus, iniciativa global dedicada a melhora a nutrição e a saúde pública com o desenvolvimento de cultivos biofortificados, com presença na América Latina e Caribe desde 2012. De acordo com Marilia Nutti, diretora regional do Harvest Plus para a América Latina e Caribe: “arepas elaboradas com este novo híbrido podem ser consideradas como boa fonte de zinco, pois o consumo diário de uma arepa de milho biofortificado aportaría até duas vezes mais zinco do que as que são elaboradas com um milho comercial. Convido-os a conhecer mais sobre todos os cultivos biofortificados na Coômbia visitando www.biofortificados.com.”

Estas quantidades contribuem a combater a fome oculta – condição caracterizada pela deficiência de vitaminas e minerais essenciais em um corpo aparentemente normal ou com sobrepeso –, que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) afeta mais de dois milhões de pessoas, causando efeitos graves na saúde e chegando a ocasionar em muitos casos a morte. Ou seja, hoje em dia as pessoas consomem alimentos que satisfazem a fome, mas que não fornecem os micronutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo em diferentes fases da vida, especialmente naquelas que exigem maior contribuição nutricional, como a gravidez, aleitamento, primeira infância, idade escolar e adolescência.

Na Colômbia, uma análise do Instituto Nacional de Saúde (INS) nas mais recentes Pesquisas Nacionais de Situação Nutricional (ENSIN 2010 e 2015) revelou que pelo menos uma em cada quatro crianças apresenta esse tipo de desnutrição, com componentes que variam devido à deficiência de ferro (anemia), em 24,7%; de vitamina A, 27,3%; e de zinco, 36%, em crianças de 6 meses a 5 anos.

Transformar essa realidade é o segundo dos cinco motores de mudança identificados no milho para a Colômbia (MpCo), um plano estratégico que foi apresentado no último dia 15 de julho na Agroexpo 2019. Esse mecanismo de segurança nutricional busca alcançar um consumo humano nacional de 50% de milho branco biofortificado com alto teor de zinco até 2030. Para alcançar é prioritária  uma aliança entre os setores público e privado e a sociedade civil, para aumentar a demanda por milho nutritivo e produtivo na Colômbia.

Daí a importância da reunião de trabalho para cerca de 30 representantes de entidades e organizações comprometidas com a nutrição dos colombianos e interessados ​​em lançar. “Milho para a Colômbia, um plano tático construído para sair da preocupação em por as mãos a obra, garantir em equipes que, na Colômbia, os produtores de milho possam aumentar sua renda e os consumidores desfrutem de alimentos saudáveis ​​e nutritivos ”, disse Bram Govaerts, Diretor Global de Desenvolvimento Estratégico e Representante Regional do CIMMYT para as Américas.

Um novo milho branco amigo dos cafeeiros

Na Colômbia, mais de 540 mil famílias se dedicam à produção de café e contribir para sua sustentabilidade económica é parte das principais missões da Federação Nacional dos Cafeicultores (FNC).

É assim para Hernando Duque, Gerente Técnico da FNC: “ter esse híbrido é de especial importância para os cafeicultores, pois além de se adaptar à zona cafeeira colombiana, entre mil e 1,6 mil metros de altitude, apresenta um alto potencial de rendimento de até 10 toneladas por hectare, é resistente a doenças como a cercóspora e, mais importante: é uma oportunidade real de gerar maior renda para os cafeicultores. Até duas safras de milho podem ser produzidas antes da primeira colheita de café, nos lotes renovados por plantio ou zoca convencional. Além disso, é muito importante lembrar que eles são duas culturas independentes em seu manejo”.

Levar essa semente às mãos dos cafeicultores é um trabalho que será realizado em equipe com a empresa colombiana Semillas Guerrero Asociados (SGA Semillas), que venderá sacos de 60 mil, 6 mil e 3 mil sementes.

Em 2006, o híbrido de milho branco FNC3056 foi lançado como resultado do acordo entre a FNC, o CIMMYT e a Federação Nacional dos Produtores de Cereais e Legumes (Fenalce). Uma amostra inicial das possibilidades da aliança entre milho e café.

 

Mais informações:

  • Sandra Marín
    Coordinador Divulgación y Transferencia-Divulgación

Centro Nacional de Investigaciones de Café-Cenicafé
Sandra.Marin@cafedecolombia.com

  • Cristián Zapata
    Analista de Comunicaciones I Latinoamérica y el Caribe
    zapata@cgiar.org
  • Bram Govaerts
    Director Global de Desarrollo Estratégico y Representante Regional del CIMMYT para las Américas
    govaerts@cgiar.org

 

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