Agricultores do Ceará cultivam o milho biofortificado BRS 4104

O projeto Hora de Plantar, da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará (SDA-CE), distribuiu seis toneladas de sementes para plantio da cultivar de milho biofortificado BRS 4104, para 600 famílias, em dezembro de 2019. A colheita iniciou em maio de 2020, e os agricultores já serão beneficiados com a qualidade nutricional desta cultivar.

A variedade de milho BRS 4104, desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo, possui maiores concentrações de carotenoides precursores da vitamina A. Os carotenoides são substâncias presentes nos alimentos que se transformam em vitamina A no corpo humano, a partir de reações químicas. Nessa variedade mais nutritiva, a concentração média de pró-vitamina A é de 2,5 a 3,2 vezes maior do que os valores encontrados no milho comum.

A vitamina A desempenha papéis importantes na saúde humana, como manutenção de uma boa visão, integridade da pele, bom funcionamento dos sistemas imunológico e reprodutor, além de atuar na prevenção do câncer. A deficiência dessa vitamina no organismo, denominada hipovitaminose A, em seu grau mais elevado causa cegueira em milhares de crianças no mundo, afetando também gestantes. “O milho biofortificado auxilia no combate à fome oculta, ou deficiência de micronutrientes no organismo humano, especialmente a hipovitaminose A, problema nutricional ainda de grande incidência em várias partes do globo”, explica Maria Cristina Dias Paes, pesquisadora da Embrapa e doutora em Ciência de Alimentos e Nutrição Humana.

Francisco de Assis Diniz, secretário de Desenvolvimento Agrário do Ceará, festeja a colheita de milho em 2020, no estado: “O Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, com o programa Hora de Plantar, disponibilizou para os agricultores das cidades de Carnaubal, Crateús e São Benedito  sementes de milho BRS 4104. Este milho é biofortificado. É um reforço nutricional na mesa dos cearenses. O cultivo do milho, com a adaptação ao zoneamento climático nordestino, fez com que nós tivéssemos um resultado excepcional”, afirma o secretário.

Disponibilização de sementes

A Embrapa realizou a primeira apresentação do milho BRS 4104 para a Secretaria de Agricultura do Ceará e para empresas produtoras de sementes da região Nordeste em novembro de 2017. Na ocasião, surgiu a ideia de inserir a cultivar no programa de Governo do Estado “Hora de Plantar”, administrado pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará. O segundo passo ocorreu em junho de 2019, quando foi realizado o Seminário Milho e outras culturas biofortificadas: opções nutritivas e viáveis para o Nordeste”. Além de técnicos da Embrapa Milho e Sorgo e da Secretaria de Inovação e Negócios da Embrapa, participaram do evento representantes da Embrapa Agroindústria Tropical,  Embrapa CocaisEmbrapa Meio Norte e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce).

No seminário realizado em Caucaia-CE foram apresentados os benefícios nutricionais da cultivar BRS 4104. “Além disso, falamos sobre a possibilidade de inserir a cultivar no programa Hora de Plantar e apuramos demandas para os programas de Governo de outros estados da região Nordeste”, diz o engenheiro agrônomo Reginaldo Rezende Coelho, da Secretaria de Negócios e Inovação da Embrapa.

Já em novembro de 2019, foram fornecidas seis toneladas de sementes para o programa Hora de Plantar, por Orlando Tabosa da Silveira, licenciado da Embrapa, quando foram atendidas 600 famílias.

Quatro empresas estão licenciadas, pela Embrapa, para multiplicação de sementes  do milho biofortificado BRS 4104. “São 100 hectares de campos de produção de sementes da cultivar, instalados na safra 2020/2020. A previsão é colher 300 toneladas e a possibilidade é de beneficiar 30 mil famílias”, informa Coelho.

João Berchmans Viana Martins, outro produtor de sementes licenciado, ressalta que o diferencial do milho BRS 4104 é o seu valor nutricional. “Este é o ponto forte desta cultivar. Inicialmente, a quantidade adquirida de sementes de milho foi pequena, pois foram plantados cinco hectares, na safra 2019. Porém, para safra 2020, nós já estamos colhendo o equivalente a 100 hectares de plantio do milho BRS 4104”, relata Berchmans.

Rede BioFort

Rede BioFORT é o conjunto de projetos responsáveis pela biofortificação de alimentos no Brasil. Coordenada pela Embrapa, busca diminuir a desnutrição e garantir maior segurança alimentar e nutricional por meio do aumento dos teores de ferro, zinco e vitamina A na dieta da população mais carente.

No Brasil, a biofortificação consiste no melhoramento genético convencional, ou seja, na seleção e no cruzamento de plantas da mesma espécie, gerando cultivares mais nutritivas. São 15 Unidades da Embrapa e Universidades envolvidas, com foco no melhoramento de alimentos básicos, como abóbora, arroz, feijão, feijão-caupi, mandioca, batata-doce, milho e trigo.

As culturas biofortificadas passam por testes de aceitabilidade, biodisponibilidade e nutrição. “É um trabalho de longo prazo, para conseguir aumentar os teores de nutrientes dos alimentos e, ao mesmo tempo, melhorar o rendimento das culturas na lavoura e aumentar a resistência a doenças e pragas. Este é um projeto que liga a agricultura à saúde”, afirma Marília Regini Nutti, que é engenheira de alimentos especialista em Nutrição e Ciência de Alimentos e pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos.

“Além disso, o nosso papel não é somente lançar as cultivares. A gente acompanha o produtor, para saber o que podemos melhorar. Por isso, este trabalho no Ceará é extremamente importante. Vamos agora coletar mais informações”, complementa Nutti.

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