Biofortificação de alimentos cresce no interior do Paraná e vira alternativa para agricultura familiar

A biofortificação de alimentos, técnica de melhoramento convencional, vem selecionando e aumentando o conteúdo de micronutrientes de cultivares da dieta básica do brasileiro. Novas culturas são geradas contendo maiores teores de pró-vitamina A, ferro e zinco, fortalecendo assim o combate à deficiência de micronutrientes no organismo humano, a popular fome oculta, que dentre as doenças provocadas, estão a anemia e a cegueira noturna. No Paraná, a biofortificação cada vez mais ganha adeptos no interior, mais precisamente, na cidade de Cascavel-PR, onde aproximadamente 120 famílias foram beneficiadas com esses alimentos, que no Brasil são desenvolvidos pela Embrapa.

batata

Um dia de campo sobre alimentos biofortificados está programado para acontecer amanhã, dia 9 de novembro, durante o período de 13h30 a 16h30, na cidade de Cascavel-PR, em plena Agrotec (área prática). Mais de 400 pessoas são esperadas para o encontro que deve reunir cooperados, técnicos agrícolas, pesquisadores e demais interessados em biofortificação. O evento é uma boa oportunidade para o agricultor passar a conhecer as variedades melhoradas, já que haverão palestras ministradas pelo pesquisador Alexandre Mello (Embrapa Hortaliças) e pelo jornalista José Heitor Vasconcellos (Embrapa Milho e Sorgo), além de distribuição de sementes de feijão (BRS Cometa), feijão-caupi (BRS Tumucumaque e BRS Xique-xique), milho (BRS 4104) e ramas de batata-doce (Beauregard).

 

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A Rede BioFORT é responsável por englobar todos os projetos de biofortificação de alimentos no país, sendo atualmente coordenada pela Embrapa. O Brasil apresenta um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação. É o único país onde são conduzidos, ao mesmo tempo, trabalhos com oito culturas diferentes: abóbora, arroz, batata-doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais como o programa HarvestPlus, que consegue dar suporte financeiro por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, Banco Mundial e outras mais.

 

A Rede BioFORT tem obtido relevantes resultados nas regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil, onde cerca de 20.000 pessoas tiveram acesso a pelo menos um desses cultivares. A coordenadora da Rede BioFORT na América Latina e Caribe, e também pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti, destaca a implantação de 120 Unidades Demonstrativas nessas regiões, cujo material coletado é destinado à merenda escolar e famílias de produtores rurais dos municípios conveniados.

 

Segundo os últimos dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 48% das crianças no mundo com menos de cinco anos de idade apresentam anemia (deficiência de ferro) e 30% possuem deficiência em vitamina A. No Brasil, os números também são altos, tendo 55% das crianças com menos de cinco anos de idade apresentando deficiência de ferro e 13% com deficiência em vitamina A.

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