Criador do termo “biofortificação” fala sobre a importância do Brasil no combate a fome oculta

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Steve Beebe é pesquisador no Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e também uma das maiores autoridades no que diz respeito ao melhoramento de feijões. Após sua apresentação no Programa Cooperativo Centroamericano para Melhoramento de Cultivos e Animais (PCCMCA), em El Salvador, ele comentou sobre o importante papel que o Brasil vem exercendo não só na América Latina, mas em todo o mundo. “O modelo de trabalho no Brasil, que se aproxima da cesta básica de alimentos de determinada população, é admirável. Tudo fica ainda mais especial, quando estamos falando de um país que é um dos maiores produtores de feijões, tanto em termos de área plantada quanto de área colhida.” Beebe, que também atua junto do programa de pesquisa HarvestPlus, mostra otimismo em relação aos hábitos alimentares brasileiros. “Nos países desenvolvidos, as pessoas tendem a comer menos legumes, porém esse não é o caso no Brasil conforme o vemos se desenvolvendo. O país continua com uma boa dieta, o que é muito bom no longo prazo.”

 

O pesquisador lembra como os alimentos biofortificados têm sido um diferencial para o auxílio nutricional às crianças, principalmente, àquelas menores de dois anos de idade. Ele contou um pouco sobre o raciocínio utilizado na pesquisa, que dá importância aos primeiros mil dias de vida. “Esse período, que vai até os dois anos de idade, é crítico para o desenvolvimento do ser humano e, então, extremamente importante que nós sejamos capazes de suprir as gestantes e os recém-nascidos com os nutrientes necessários.” Aponta o melhorista.

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Em determinado momento do evento, ele aproveitou e contou como curiosidade a origem do nome “biofortificação”. “Eu estava com representantes da Fundação Bill e Melinda Gates e nós conversávamos sobre essa ideia, o conceito de aumentar os níveis de micronutrientes em cultivos básicos para a alimentação. Para explicar isso eu disse que seria como a fortificação, só que por meio de melhoramento convencional, podendo assim ser chamada de biofortificação.” Conclui Steve Beebe.

 

Realizado no período de 16 a 19 de maio, o PCCMCA 2017 reuniu aproximadamente 350 pesquisadores e contou com uma gama de apresentações e mesas de trabalho focadas em biofortificação. Os resultados alcançados no Brasil foram expostos por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que estavam representando o HarvestPlus America Latina e Caribe. Guilherme Abreu (Embrapa Cocais), Marília Nutti (Embrapa Agroindústria de Alimentos), José Luiz Viana de Carvalho (Embrapa Agroindústria de Alimentos) e Paulo Evaristo Guimarães (Embrapa Milho e Sorgo) explicaram o andamento das pesquisas de melhoramento de arroz e milho, assim como o fortalecimento nos esforços de transferência de tecnologia, que cada vez mais vêm encontrando espaço nos estados do Maranhão e Piauí.

 

O PCCMCA 2017 é uma realização do Centro Nacional de Tecnologia Agropecuária e Florestal “Enrique Álvarez Córdova” (CENTA).

Energia solar surge como potencial solução para falta de estrutura elétrica em áreas rurais carentes do Piauí

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o programa internacional de pesquisas, HarvestPlus, têm implantado kits de bombeamento de água por energia solar para suprir a falta de estrutura elétrica em regiões mais carentes do Piauí. A primeira unidade instalada com esse tipo de energia foi responsável por dar vazão a cinco mil litros de água por hora, sendo capaz de irrigar até oito vezes mais de área inicialmente prevista. Henrique Lima (19 anos) foi o primeiro proprietário a receber um kit desse, propiciando-o cultivar uma gama de variedades biofortificadas e crioulas, como milho, batata-doce, feijão, mandioca e etc.

 

“Hoje eu posso dizer que sou meu próprio patrão, não trabalho somente para sobreviver. Antes, estava vendendo cultivares de feijão-caupi convencionais a cinco reais o quilo. Agora, com a BRS Aracê, , de cor verde e rica em ferro e zinco, a demanda me permite vender a variedade a onze reais o quilo. Minha área de produção de biofortificados tem em torno de seis mil metros quadrados, meus amigos quando vêm aqui ficam super curiosos em conhecer, brinco falando que parece um museu. Sou muito agradecido à biofortificação.” Relata Henrique, que junto do padrasto, do irmão e da mãe cuidam da propriedade.

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A iniciativa pela implantação dos kits veio a partir da demanda por energia de qualidade e barata, pois ainda existem comunidades de pequenos produtores no estado do Piauí que vivem sem acesso a energia elétrica ou que muitas vezes acabam por ter sua irrigação inviabilizada devido ao alto custo do bombeamento de água feito de forma elétrica. Diante desse cenário, o programa brasileiro de biofortificação (BioFORT), coordenado pela Embrapa investiu junto com o HarvestPlus na aquisição dos kits, deixando com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) o investimento em kits de irrigação por gotejamento; com a Fundação Dom Edilberto, o investimento feito foi relacionado às perfurações de poços; e por último, escolas agrícolas deram sua parte de investimento formando os alunos enquanto que instituições, como o Centro Educacional São Francisco de Assis, contribuíram com assistência técnica. Todo esse apoio conjunto compõe a filosofia de segurança produtiva, essencial para garantir o sucesso da colheita no semiárido.

 

Em março de 2017, ocorreu a implantação da segunda unidade à base de energia solar no Piauí, dessa vez na cidade de Oeiras, na propriedade da agricultora Valdileia de Moura Silva (21 anos), que é só elogios aos alimentos biofortificados, principalmente, por permitirem a ela diversificar sua cadeia produtiva.

 

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“Estou alcançando a minha independência financeira e podendo fornecer não só apenas quantidade, mas também qualidade e, ainda por cima, respeitando sempre os limites do nosso meio ambiente, algo provido graças ao sistema de energia limpa. Como trabalhamos com a cadeia produtiva, uma atividade termina dando contemplação a outra. A agricultura familiar é isso, a união de várias atividades produtivas, uma dando subsídio a outra.” Aponta Valdileia, que se mostra orgulhosa de ter sucesso no ambiente rural, ainda majoritariamente masculino. “Realizo o meu sonho de trabalhar com prazer e naquilo que realmente acredito e tenho uma enorme satisfação, tanto pessoal quanto profissional, porque hoje sei que sou um exemplo como mulher e jovem para outros.”

 

O analista da Embrapa Meio-Norte e um dos principais coordenadores de biofortificação no Nordeste, Marcos Jacob de Almeida, contou um pouco mais a respeito do perfil esperado nos agricultores que estão recebendo os kits.

 

“Estamos no começo da implantação dessas unidades no estado, sendo coerentes em priorizar os mais jovens, com o objetivo de diminuir a falta de sucessão no campo, já que muitos filhos de agricultores acabam tendo que deixar a família para tentar a sorte com trabalhos de baixa remuneração em grandes centros urbanos. O trabalho começa tendo características de avaliação, com as próprias escolas agrícolas nos ajudando a identificar os alunos mais bem avaliados, os que demonstrarem maior interesse, os que possuírem uma produção agrícola regular e também aqueles que tenham comprometimento em desenvolver sua área rural, de modo a retornar para a sociedade o investimento feito neles.” Conta o Dr. Almeida para em seguida concluir a respeito da inovação que vem sendo feita no Piauí com a política de segurança produtiva. “Ao implantarmos essa cadeia de segurança produtiva, criando então as condições necessárias a boas colheitas, seguimos com a distribuição de sementes de qualidade, como é o caso das biofortificadas, aliando tudo isso a uma boa formação que o jovem terá da escola agrícola junto de uma instrumentação eficiente – aqui me refiro, justamente, aos kits de energia solar – teremos todos os pilares de uma agricultura familiar fortalecida e de referência.”

 

O terceiro kit já tem previsão de instalação e será implantado na comunidade quilombola chamada Canadá, localizada em Oeiras, onde da mesma forma haverá primeiro a instalação das fitas gotejadoras para irrigação direta na raiz das plantas e, consequentemente, a instalação seguinte será com placas capatadoras de raios solares responsáveis por provocar o bombeamento de água. A pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos e líder da Rede BioFORT, Marília Nutti, chamou atenção para como a biofortificação, indiretamente, acaba por fortalecer outros aspectos como o aumento de renda e a promoção de maior diversidade entre produtores.

 

“Temos muitas expectativas quanto aos trabalhos realizados no Nordeste. Prezamos pela diversidade cultural e agrícola de cada região, priorizando a construção de condições para o produtor ou produtora exercer sua total independência, inclusive, para fins comerciais, não apenas de subsistência. Outro aspecto admirável está relacionado com as várias experiências observadas, por exemplo, no Piauí, mostram como a biofortificação vem exercendo um papel importante em aproximar os jovens da ciência, com muitos egressos de escolas agrícolas e mesmo aqueles em último ano de formação mostrando uma vontade de ingressarem em universidades e continuarem estudando biofortificação. Isso é algo que já até virou realidade, onde constatamos diversos trabalhos de conclusão de curso no tema , o que nos anima , pois os estudantes estão abraçando o tema com comprometimento em melhorar a qualidade nutricional e produtiva dos alimentos.” Conclui a pesquisadora Marília Nutti.

 

Mais sobre biofortificação

A biofortificação é uma técnica de melhoramento convencional utilizada para aumentar os níveis de vitaminas e minerais de cultivos agrícolas, com o objetivo de combater a insegurança nutricional, popularmente conhecida como fome oculta. O Brasil apresenta um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação, sendo o único onde o trabalho é realizado ao mesmo tempo com oito culturas: abóbora, arroz, batata doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais, sendo a principal o programa de pesquisas HarvestPlus, que conta com a ajuda da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para coordenar o programa de biofortificação brasileiro (Rede BioFORT).

Biofortificação de alimentos terá investimento de quase nove milhões de reais no estado do Maranhão

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No dia 12 de abril, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Governo do Maranhão assinam convênio que irá garantir, por meio das instituições que compõem o sistema de agricultura do estado, aproximadamente oito milhões e meio de reais investidos para fortalecer a transferência de cultivos biofortificados no Maranhão. Essas variedades agrícolas possuem maiores teores de vitaminas e minerais, alcançados graças a técnica de melhoramento convencional conhecida como biofortificação. A Embrapa, com suas unidades, Embrapa Cocais, Embrapa Meio-Norte e Embrapa Agroindústria de Alimentos, juntamente com a parceria do programa global líder em biofortificação, HarvestPlus, irá mobilizar cerca de 500 mil reais como forma de investimento na agricultura familiar do Maranhão.

“O Maranhão está de braços abertos. Estamos adotando os cultivos biofortificados. Temos um grande grupo composto de 90 novos técnicos que estão sendo treinados nisso. Estamos também distribuindo sementes e, assim, expandindo o programa com a ajuda da Embrapa Meio-Norte. Nós planejamos comprar sementes o suficiente para plantar no estado. Acreditamos que essa parceria entre a Embrapa e o estado do Maranhão, com a Secretaria de Agricultura Familiar, teremos tudo para aumentar a produção de feijão-caupi.” Contou o secretário de Agricultura Familiar, Adelmo Soares.

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Tão presente no cotidiano atual, a diversidade tem pautado não só as relações sociais no território maranhense, como também a produção rural de pequenos agricultores optantes por diversificar as vendas de cultivos à programas públicos de alimentação escolar voltados para aquisição diretamente pela agricultura familiar. O Estado vem integrando jovens e crianças matriculados em 32 escolas da rede pública do município de Alto Alegre-MA, por meio do projeto “Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia”, com práticas de socialização multidisciplinar, aproximando os alunos de princípios de educação ambiental e agronômica de forma sistemática e direcionada ao currículo escolar, baseando-se na sustentabilidade e na segurança alimentar. Os alimentos biofortificados estão presentes em onze escolas e uma creche, cujo responsável técnico é o professor Francisco de Assis Gonçalves Andrade.

A instalação do projeto, especificamente, na cidade de Alto Alegre foi motivada devido ao seu baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maus hábitos alimentares e ausência local de políticas públicas voltadas para alimentos mais nutritivos.

“O Maranhão é o estado com uma das menores taxas de desenvolvimento humano no Brasil. É um estado que carece de muita coisa, de saúde a nutrição. Por conta disso, foi o primeiro estado em que o BioFORT, há 10 anos atrás, começou a investir em uma maior articulação, desenvolvendo pequenas atividades, até chegarmos nesse momento. Agora, estamos auxiliando os produtores quanto ao armazenamento dos grãos.” Realçou o pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos e, também co-líder da Rede BioFORT, José Luiz Viana de Carvalho.

 

Mais sobre a Rede BioFORT
A Rede BioFORT é coordenada pela Embrapa, sendo responsável por reunir os projetos de biofortificação de alimentos no Brasil pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisas, prefeituras e organizações internacionais, com o projeto de pesquisa HarvestPlus como principal financiador e aliado da Embrapa no gerenciamento da Rede BioFORT. O objetivo é garantir uma maior segurança alimentar através do aumento dos teores de ferro, zinco e pró-vitamina A na dieta da população mais carente, combatendo assim a fome oculta. A essência está em convencionalmente (sem transgenia) enriquecer alimentos que já fazem parte da dieta da população para que esta possa ter acesso a produtos mais nutritivos e que não exijam mudanças de seus hábitos de consumo. O Brasil é o único no mundo a trabalhar com oito cultivos: batata-doce, abóbora, arroz, feijão, trigo, milho, mandioca e feijão-caupi.

 

Mais sobre o HarvestPlus
O HarvestPlus age em escala global para melhorar a segurança nutricional, através do desenvolvimento e implantação de produtos alimentares básicos ricos em vitaminas e minerais. Trabalhando com diversos parceiros em mais de 40 países, o HarvestPlus é parte do Programa de Pesquisa em Agricultura (CGIAR). O CGIAR é uma parceria em pesquisa agrícola global com o objetivo de assegurar um futuro sustentável em alimentos. Sua ciência é realizada por seus 15 centros de pesquisa em colaboração com centenas de organizações parceiras. O programa HarvestPlus é coordenado por dois desses centros: o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI).

Biofortificação é semifinalista para ganhar 100 milhões de dólares em competição de soluções inovadoras

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O programa de pesquisas, HarvestPlus, líder global em biofortificação e também um dos principais parceiros dos projetos de biofortificação no Brasil, acaba de ser escolhido para figurar entre os oito semifinalistas da competição 100&Change, que premiará o vencedor com a quantia de 100 milhões de dólares garantidos pela Fundação MacArthur. O objetivo da campanha é incentivar financeiramente soluções inovadoras para problemas atuais.

 

A biofortificação é uma técnica de melhoramento convencional feita com cultivos agrícolas visando o aumento de vitaminas e minerais, como vitamina A, ferro e zinco para combater a insegurança nutricional, que dentre os sintomas causados estão a diarreia e a cegueira infantil. A Organização Mundial de Saúde (OMS, em português) estima que a má nutrição seja responsável pela morte de mais de três milhões de crianças com menos de cinco anos de idade.

 

“Sabemos que uma boa nutrição é essencial para o crescimento e desenvolvimento. Infelizmente, muitas crianças na África rural e em outras partes do mundo em desenvolvimento ainda sofrem com os devastadores efeitos da fome oculta. Elas podem não estar visivelmente famintas, mas suas dietas básicas carecem de micronutrientes essenciais para uma boa saúde”. Conta Bev Postma, CEO do HarvestPlus.”

 

No Brasil, a biofortificação tem sido coordenada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que reuniu os projetos da área sob o nome de Rede BioFORT, trabalhando a partir de um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação, pois o Brasil é o único país onde são conduzidos, ao mesmo tempo, trabalhos com oito culturas diferentes: abóbora, arroz, batata-doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais como o programa HarvestPlus, que consegue dar suporte financeiro por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, Banco Mundial e outras mais.

 

“O HarvestPlus já atingiu 20 milhões de pessoas em todo o mundo e nosso objetivo é alcançar um bilhão de pessoas até 2030.” Finaliza Bev Postma.

 

A Rede BioFORT tem obtido relevantes resultados nas regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil, onde cerca de 20.000 pessoas tiveram acesso a pelo menos um desses cultivares. A coordenadora da Rede BioFORT na América Latina e Caribe, e também pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti, destaca a implantação de 120 Unidades Demonstrativas nessas regiões, cujo material coletado é destinado à merenda escolar e famílias de produtores rurais dos municípios conveniados.

 

“As oito propostas ambiciosas exemplificam a paixão, alcance e criatividade das centenas de submissões que tivemos”, disse a presidente da Fundação MacArthur, Julia Stasch. “Esperamos que a competição inspire indivíduos e organizações a serem ousados e a pensar grande”.

 

O Conselho da Fundação MacArthur selecionará até cinco finalistas em setembro. Os finalistas apresentarão suas propostas durante um evento ao vivo em 11 de dezembro de 2017, antes que a Diretoria nomeie um único projeto para receber 100 milhões de dólares ao longo de até seis anos.

 

Mais sobre a 100&Change

A 100&Change é uma competição única para organizações em todo o mundo para a apresentação de propostas capazes de progresso real na solução de um problema crítico do nosso tempo em qualquer campo ou qualquer local. O concurso contou com 7.069 inscritos que submeteram 1.904 propostas para, em seguida, escolher desse montante 801 aplicações avaliadas em quatro: significado, verificabilidade, durabilidade e viabilidade. O Conselho da Fundação MacArthur fez a seleção final.

“Esperamos que essas propostas criativas beneficiem-se do feedback dos especialistas, da assistência técnica e da atenção do público. E que também consigam atrair investimentos de outras fontes, mesmo não ganhando a 100&Change “, disse Cecilia Conrad, Diretora Executiva da Fundação MacArthur, principal responsável por liderar a competição.

A Fundação MacArthur apoia pessoas criativas, instituições eficazes e redes influentes, criando um mundo mais justo, verde e pacífico.

FAO destaca avanços na América Latina e Caribe, mas alerta para alta de obesidade

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) disponibilizou no mês de janeiro de 2017 a publicação intitulada “América Latina y el Caribe: Panorama de la seguridad alimentaria y nutricional. Sistemas alimentarios sostenibles para poner fin al hambre y la malnutrición, 2016”, a qual se propõe a expôr os avanços em nutrição já alcançados na região, técnicas agrícolas adotadas entre produtores — como a biofortificação, e também alertar para o rápido crescimento da obesidade.

 

O documento identificou a biofortificação como uma das medidas para melhorar a saúde nutricional, destacando a iniciativa da Guatemala com a inauguração de seu programa de biofortificação, a Plataforma BioFORT.

 

Pode-se acessar o arquivo na íntegra clicando no link a seguir:

http://iris.paho.org/xmlui/bitstream/handle/123456789/33680/9789253096084-spa.pdf?sequence=1&isAllowed=y

 

Todo ano o material é publicado pelo escritório da América Latina e Caribe da FAO, sempre abordando um tema diferente. Essa é a primeira vez que a produção contou com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPS/OMS).

 

 

Fortalecimento de parcerias marcam 2016

O programa brasileiro de biofortificação (Rede BioFORT) termina o ano de 2016 fortalecido com a oficialização de suas parcerias e, consequentemente, o aumento de pessoas beneficiadas com os alimentos biofortificados, por meio do trabalho conjunto com atores públicos. O Governo do Maranhão formulou um acordo em conjunto com a Embrapa (responsável pela coordenação da Rede BioFORT) para atividades de transferência de tecnologia, garantindo incentivos para que os pequenos agricultores aumentem sua produção agrícola, especialmente na Região de Cocais, território que compreende 17 municípios com uma população total de cerca de 750.000 habitantes, dos quais 30% vivem em zonas rurais (11.739 famílias assentadas), segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

 

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Entre as outras atividades promovidas ao longo do ano, estão as realizadas com a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec), a Embrapa Agroindústria de Alimentos, a Prefeitura de Magé, o Centro Nacional de Tecnologia Agropecuária e Florestal (CENTA / El Salvador). O trabalho desenvolvido com estes parceiros foi caracterizado por formação de pessoal técnico e distribuição de sementes, sendo esta feita apenas pela Fundetec e pelo município de Magé.

 

A Rede BioFORT obteve resultados relevantes nas regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil, onde cerca de 20 mil pessoas tiveram acesso a pelo menos uma dessas cultivares. A coordenadora da Rede BioFORT na América Latina e Caribe, e também pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti, destacou a implantação de 120 Unidades de Demonstração nessas regiões, cujo material é coletado para ser servido nas refeições escolares e entregue às famílias de produtores rurais.

 

Mais sobre biofortificação

 

O Brasil apresenta um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação. É o único país onde o trabalho é realizado ao mesmo tempo com oito culturas diferentes: abóbora, arroz, batata doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais.

De acordo com os últimos dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 48% das crianças menores de cinco anos têm anemia (deficiência de ferro) e 30% têm deficiência de vitamina A. No Brasil, os números também são altos, com 55% das crianças menores de cinco anos apresentando deficiência em ferro e 13% em vitamina A.

Biofortificação de alimentos cresce no interior do Paraná e vira alternativa para agricultura familiar

A biofortificação de alimentos, técnica de melhoramento convencional, vem selecionando e aumentando o conteúdo de micronutrientes de cultivares da dieta básica do brasileiro. Novas culturas são geradas contendo maiores teores de pró-vitamina A, ferro e zinco, fortalecendo assim o combate à deficiência de micronutrientes no organismo humano, a popular fome oculta, que dentre as doenças provocadas, estão a anemia e a cegueira noturna. No Paraná, a biofortificação cada vez mais ganha adeptos no interior, mais precisamente, na cidade de Cascavel-PR, onde aproximadamente 120 famílias foram beneficiadas com esses alimentos, que no Brasil são desenvolvidos pela Embrapa.

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Um dia de campo sobre alimentos biofortificados está programado para acontecer amanhã, dia 9 de novembro, durante o período de 13h30 a 16h30, na cidade de Cascavel-PR, em plena Agrotec (área prática). Mais de 400 pessoas são esperadas para o encontro que deve reunir cooperados, técnicos agrícolas, pesquisadores e demais interessados em biofortificação. O evento é uma boa oportunidade para o agricultor passar a conhecer as variedades melhoradas, já que haverão palestras ministradas pelo pesquisador Alexandre Mello (Embrapa Hortaliças) e pelo jornalista José Heitor Vasconcellos (Embrapa Milho e Sorgo), além de distribuição de sementes de feijão (BRS Cometa), feijão-caupi (BRS Tumucumaque e BRS Xique-xique), milho (BRS 4104) e ramas de batata-doce (Beauregard).

 

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A Rede BioFORT é responsável por englobar todos os projetos de biofortificação de alimentos no país, sendo atualmente coordenada pela Embrapa. O Brasil apresenta um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação. É o único país onde são conduzidos, ao mesmo tempo, trabalhos com oito culturas diferentes: abóbora, arroz, batata-doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais como o programa HarvestPlus, que consegue dar suporte financeiro por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, Banco Mundial e outras mais.

 

A Rede BioFORT tem obtido relevantes resultados nas regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil, onde cerca de 20.000 pessoas tiveram acesso a pelo menos um desses cultivares. A coordenadora da Rede BioFORT na América Latina e Caribe, e também pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti, destaca a implantação de 120 Unidades Demonstrativas nessas regiões, cujo material coletado é destinado à merenda escolar e famílias de produtores rurais dos municípios conveniados.

 

Segundo os últimos dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 48% das crianças no mundo com menos de cinco anos de idade apresentam anemia (deficiência de ferro) e 30% possuem deficiência em vitamina A. No Brasil, os números também são altos, tendo 55% das crianças com menos de cinco anos de idade apresentando deficiência de ferro e 13% com deficiência em vitamina A.

Governo do Estado promove Dia Mundial da Alimentação com incentivo aos Biofortificados

3“Conheci os biofortificados em um dia de campo, em Codó, quis experimentar e comecei a plantar. A batata se adaptou super fácil e muito bem à minha terra, mas por ser algo novo, não teve muita aceitação, precisei me adaptar para que conseguisse vender e ter uma renda; foi então que decidi fazer produtos derivados, como caldos, doces e até escondidinho de batata biofortificada, e o sucesso foi total”, contou a agricultora Antônia Lúcia Carvalho, produtora de alimentos biofortificados e dona de um livro de receitas deliciosas com esses alimentos.

A receita do caldo de batata biofortificada é de autoria de dona Lúcia que forneceu um mini curso para repassar o prato para as merendeiras das escolas da região. Atualmente ela fornece a batata para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o caldo alimenta e fortalece as crianças das escolas das redondezas. Segundo ela, em média, são necessárias meia tonelada de batata biofortificada por dia para suprir as necessidades das escolas.

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No dia em que é comemorado o Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o Governo do Estado por meio da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF), levou conhecimento ao agricultor familiar, difundindo os alimentos biofortificados.

Um dia de campo foi preparado no município de Alto Alegre com palestras e degustação de receitas feitas com as variedades de alimentos biofortificados, produzidos pelos agricultores do município. Feijão Caupi, mandioca, milho e batata-doce são alguns dos alimentos.

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura Familiar, Adelmo Soares, “o Sistema SAF está trabalhando para transformar a difusão dos alimentos biofortificados em política pública, pelo fato dos nutrientes encontrados nessa alimentação serem fundamentais no fortalecimento nutricional infantil, permitindo, junto com outras práticas saudáveis, manter um equilíbrio na alimentação a ponto de se perpetuar até a fase adulta”. Adelmo explicou ainda que ações como essa ajudam a transmitir ainda mais o conhecimento para os agricultores fazendo com que se alimentem cada vez melhor.

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Superintendente de Articulação de Políticas Públicas da Saf, Adelana Santos, informou aos agricultores sobre a origem dos alimentos biofortificados, como surgiram e a importância do seu consumo para o combate à fome. Para ela esses alimentos são uma maneira de ter uma alimentação mais saudável e nutritiva na mesa.

Fome no Mundo

Uma em cada nove pessoas passa fome no mundo, o que equivale a cerca de 795 milhões de pessoas, de acordo com a última edição do relatório anual sobre a fome publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O número, apesar de alto, significa um avanço já que representa 216 milhões de pessoas a menos do que o registrado de 1990 a 1992, que era de 1bilhão de pessoas passando fome no mundo. Muitos países têm tido progresso no combate a fome com os crescentes avanços na produção de alimentos, desenvolvimento econômico de muitas regiões e implantação de políticas públicas.

No Maranhão o Governo do Estado e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estão coordenando ações inovadoras de execução do Projeto de Biofortificação de Alimentos no Maranhão. O objetivo é fortalecer a segurança nutricional em comunidades carentes onde a população tem deficiência de nutrientes como ferro, zinco e vitamina A e, assim, combater a deficiência de micronutrientes no organismo humano, conhecida como ‘fome oculta’, que provoca doenças como anemia e cegueira noturna.

O Estado já evoluiu consideravelmente os projetos de biofortificação de alimentos com as culturas do feijão-caupi (Aracê), mandioca (BRS Jari), milho (BRS 4104) e batata-doce (Beauregard). Os alimentos biofortificados estão em fase de expansão no território dos Cocais, abrangendo,atualmente, 300 famílias nos municípios de Alto Alegre, Codó, Caxias, Peritoró, Coroatá, São Mateus, Timbiras, Presidente Dutra e Dom Pedro.

Origem

A data foi criada para assinalar a fundação da “Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação” (FAO-Food and Agriculture Organization) fundada em 1945. Seu principal objetivo é elevar os níveis de nutrição mundiais.

Estabelecida pela ONU em 1979, o Dia Mundial da Alimentação ocorre em mais de 150 países no mundo desde 1981, donde cada ano, um tema alerta para sua importância.

Fonte: ASCOM – SAF/MA

Workshops de biofortificação fortalecem trabalho na América Latina e Caribe

Durante o final do mês de setembro, estratégias e alianças entre os principais responsáveis em biofortificação de alimentos na América Latina e Caribe foram fortalecidas por meio de dois workshops realizados na região. O primeiro (20 à 22/09), promovido pelo programa HarvestPlus, reuniu especialistas em comunicação e monitoramento do Brasil, Colômbia, El Salvador, Nicarágua, Honduras, Guatemala e Panamá, no Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), em Cali, na Colômbia. O evento seguinte, sediado no Panamá, foi realizado pelo comitê do Codex Alimentarius do país, com apoio do Instituto de Pesquisa Agropecuária do Panamá (IDIAP, em espanhol), nos dias 27 e 28 de setembro, e contou com a participação do próprio HarvestPlus, de membros participantes dos Comitês Nacionais do Codex Alimentarius de diferentes países (Brasil, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Honduras, México, Nicarágua e Panamá), representantes de organizações internacionais que apoiam a biofortificação, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e entidades panamenhas de nutrição e agricultura.

 

O encontro ocorrido na Colômbia, de acordo com a Coordenadora Adjunta do HarvestPlus América Latina e Caribe, Carolina González, serviu para fortalecer “as relações com parceiros e entre parceiros. Todos nós aprendemos com as experiências de outros países, o que é o mais gratificante”. Houve espaço para o compartilhamento de experiências e desenvolvimento de estratégias de comunicação regionais para promover o uso de culturas biofortificados na América Latina. Ao mesmo tempo, estabeleceu-se indicadores e ferramentas para administrar o acompanhamento dos projetos, identificar os obstáculos e contribuir para compartilhar o progresso do projeto com parceiros e doadores.

 

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O segundo workshop, chamado de “Discussão da Estratégia de Biofortificação em Países da América Latina e Caribe”, primou por conhecer as experiências de desenvolvimento de biofortificados, segundo as diretrizes do Codex Alimentarius. Para a coordenadora do HarvestPlus América Latina e Caribe, Marilia Nutti, este encontro foi excelente, pois criou uma oportunidade para os países expressarem suas preocupações e pontos fortes atuais sobre a biofortificação. O coordenador do programa de biofortificação panamenho, AgroNutre Panamá, Ismael Camargo, considerou o evento como necessário para o andamento do trabalho em conjunto.

 

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Mais sobre a biofortificação

A biofortificação consiste em um processo de cruzamento de plantas da mesma espécie, gerando cultivares mais nutritivos. O processo também é conhecido como melhoramento genético convencional. No melhoramento genético convencional uma planta é cruzada com outra da mesma espécie, não ocorrendo incorporação de genes de outro organismo ao genoma da planta, sendo necessário a realização de repetidos cruzamentos até atingir o cultivar melhorado desejado. Somente na transgenia ou engenharia genética é que se incorporam genes de outro organismo no genoma da planta.

 

Mais sobre o HarvestPlus

O HarvestPlus age em escala global para melhorar a segurança nutricional, através do desenvolvimento e implantação de produtos alimentares básicos ricos em vitaminas e minerais. Trabalhando com diversos parceiros em mais de 40 países, o HarvestPlus é parte do Programa de Pesquisa em Agricultura (CGIAR) para a Nutrição e Saúde (A4NH). O CGIAR é uma parceria em pesquisa agrícola global com o objetivo de assegurar um futuro sustentável em alimentos. Sua ciência é realizada por seus 15 centros de pesquisa em colaboração com centenas de organizações parceiras. O programa HarvestPlus é coordenado por dois desses centros: o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI).

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Encontros expõem aumento do número de beneficiados com alimentos biofortificados

A cidade de Uberaba-MG foi palco do tradicional Dia do Zinco e Iodo, realizado em 13 de setembro, onde puderam ser expostos os progressos da biofortificação no Brasil, tendo como destaque o alcance à aproximadamente 20.000 pessoas beneficiadas pelos alimentos biofortificados. Posteriormente, nos dias 15 e 16 de setembro, na cidade de Cascável-PR, ocorreu uma reunião entre a comunidade local de agricultores, técnicos agrícolas da Secretaria Municipal de Agricultura e da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec), além de pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos, que durante o diálogo, foram unânimes em apontar o crescimento da demanda por variedades biofortificadas na região e, consequentemente, o aumento do número de produtores desses materiais, totalizando mais de 400 já beneficiados por cultivares biofortificados.

zincday1O evento em Uberaba-MG ainda contou com a palestra do cientista Ismail Cakmak, da Universidade de Sabanci (Turquia), sobre melhoramento genético com foco em zinco e seu impacto na produção agronômica e na dieta alimentar. Houveram também palestras sobre manejo e produção de fertilizantes a base desse mesmo micronutriente e visitas à campos experimentais do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, contendo trigo (adubação foliar), feijão-caupi e feijão biofortificados. Cerca de 200 pessoas participaram da programação.

zincday2A pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos e líder da Rede BioFORT, Marília Nutti, apresentou os avanços da biofortificação no Brasil e mostrou como as parcerias têm sido fundamentais na difusão dos materiais melhorados. “Por exemplo, no Maranhão, a biofortificação alcançou o status de política pública com a ajuda do governo do estado, no Rio de Janeiro, temos um campo experimental de culturas agroecológicas e biofortificadas, junto da Secretaria de Agricultura Sustentável de Magé. Temos procurado identificar e estreitar relações com instituições que compartilham da mesma missão que a Rede BioFORT. Agora mesmo, temos um projeto bem adiantado com a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec), para o lançamento de um aplicativo que permitirá termos todos os produtores de biofortificados cadastrados em nosso banco de dados.”

 

Em Cascável-PR, a reunião entre os atores da biofortificação na cidade pôde traçar estratégias para as próximas atividades, que envolverão instituições de apoio a agricultura local como, por exemplo, a Cooperativa de Trabalho e Assistência Técnica do Paraná – Biolabore. A expectativa é de que em novembro um dia de campo seja organizado no estado, para que mais sementes biofortificadas sejam distribuídas na cidade.

 

Mais sobre a biofortificação
A biofortificação consiste em um processo de cruzamento de plantas da mesma espécie, gerando cultivares mais nutritivos. O processo também é conhecido como melhoramento genético convencional. No melhoramento genético convencional uma planta é cruzada com outra da mesma espécie, não ocorrendo incorporação de genes de outro organismo ao genoma da planta, sendo necessário a realização de repetidos cruzamentos até atingir o cultivar melhorado desejado. Somente na transgenia ou engenharia genética é que se incorporam genes de outro organismo no genoma da planta.

 

Rede BioFORT
O trabalho de biofortificação no Brasil é realizado pela Rede BioFORT, cuja líder é a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti. A Rede BioFORT é responsável por englobar todos os projetos de biofortificação de alimentos no Brasil, sendo atualmente coordenada pela Embrapa. Dentre suas parcerias, está a feita com a instituição de pesquisa HarvestPlus, além do CNPq e diversas fundações estaduais de suporte a pesquisa. A partir da utilização da técnica de melhoramento genético convencional, é selecionado e aumentado o conteúdo de micronutrientes dos seguintes cultivares: arroz, feijão, batata-doce, mandioca, milho, feijão-caupi, abóbora e trigo. Novas culturas são geradas contendo maiores teores de pró-vitamina A, ferro e zinco, fortalecendo assim o combate à deficiência de micronutrientes no organismo humano.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, 2013), 48% das crianças no mundo com menos de cinco anos de idade apresentam anemia (deficiência de ferro) e 30% possuem deficiência em vitamina A. No Brasil, os números também são altos, tendo 55% das crianças com menos de cinco anos de idade apresentando deficiência de ferro e 13% com deficiência em vitamina A. Essa ausência crucial de micronutrientes no organismo pode provocar uma evolução em sintomas como cegueira noturna, anemia e diarreia, levando até ao falecimento de indivíduos, principalmente crianças, frente ao quadro de fome oculta.