Biofortificação aumenta seu alcance no Rio de Janeiro

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Cooperativa de Araruama firma convênio com a Embrapa para transferência de alimentos biofortificados

 

A COOPAFO – Cooperativa de Pescadores e Agricultores Organizados – assinou um convênio com a Embrapa Agroindústria de Alimentos que possibilitará a transferência de variedades biofortificadas com o intuito de realizar a multiplicação das cultivares em Araruama.

 

Leandro Leão, analista da Embrapa Agroindústria de Alimentos, foi o responsável por articular formação da parceria. Ele conta como surgiu a demanda do município.

 

”Tudo começou com uma visita técnica à cidade de Mesquita, onde conhecemos trabalhadores da COOPAFO que mostraram interesse em produzir os alimentos biofortificados. Vimos o potencial da cooperativa em poder multiplicar esse material e após uma reunião e mais alguns detalhes burocráticos, finalmente, firmamos a parceria.”

 

Presidida pela produtora Rejane de Oliveira, a cooperativa vem trabalhando, principalmente, com bebida láctea e iogurte, goiabada cascão, polpa de fruta, farinha de mandioca, mel em sachê e ovo caipira. Segundo Rejane, a mandioca e a batata-doce biofortificadas são os cultivos que se encaixam melhor dentro do atual cenário da COOPAFO. “Já plantamos essas duas variedades biofortificadas aqui na nossa sede. Como nossa feira local ainda é pequena, nossos esforços concentram-se mais no comércio junto à prefeitura, vendendo para a merenda escolar.”

 

O pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Mauro Pinto, ressalta que a parceria vem para fortalecer a agricultura familiar no estado do Rio de Janeiro que, atualmente, conta também com Itaguaí e Magé dentre os municípios beneficiados pela transferência de tecnologia de alimentos ricos em vitaminas e minerais.

 

“O Rio de Janeiro vem aumentando sua oferta e demanda por produtos com perfil mais nutritivo, naturais e orgânicos. As feiras locais saem fortalecidas, pois aqui no estado o interior é muito próximo da cidade grande, o que propicia um cenário atraente para a agricultura urbana e familiar.”

 

Mais de 30.000 pessoas no Brasil já tiveram acesso aos alimentos biofortificados.

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Batata-doce é pauta em programa da apresentadora Regina Casé

O pesquisador da Rede BioFORT e da Embrapa Agroindústria de Alimentos, José Luiz Viana de Carvalho, participou do programa “Um Pé de Quê?”, da apresentadora Regina Casé, cuja pauta abordada foi a batata-doce. Como não podia deixar de ser, a batata-doce biofortificada foi lembrada pelo nosso pesquisador, que citou curiosidades sobre o consumo da hortaliça em diferentes países.

 

 

“Cada quilo plantado, me rendeu 60 quilos de feijão biofortificado”, afirma produtor mineiro.

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Seu Wagner Campelo é mais um agricultor a adotar os cultivos biofortificados na região Sudeste.

A produção de alimentos biofortificados no estado de Minas Gerais começa a crescer no pequeno município de Santana de Pirapama, onde até 2006, o número de habitantes era pouco mais do que oito mil. Um desses moradores, o produtor Wagner Campelo (48 anos) recebeu, recentemente, sementes de feijão biofortificado para plantio em sua propriedade.

 

“Ao todo, minha área tem dois hectares, portanto, separei um pedaço da minha propriedade para produzir essa variedade de feijão. A produtividade foi boa, pois para cada quilo que plantei, tive um retorno de 60 quilos de feijão biofortificado.”

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A região costuma ser conhecida pela forte produção de quiabo e pela presença atuante do extensionismo, por meio de instituições como a Emater. Cultivos mais básicos para a alimentação também vêm sendo difundidos entre os produtores locais, pois muitos deles estão sendo inseridos em programas públicos de venda à merenda escolar.

 

O coordenador regional da Emater-MG em Sete Lagoas, Walfrido Albernaz, conta que procura sempre estimular os agricultores a se organizarem para que tanto o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) quanto a agricultura familiar saiam fortalecidos em Minas Gerais.

 

“A Emater-MG sempre possui parceria com prefeituras. Temos também parceria com a Prefeitura de Jequitibá, no que diz respeito a venda para merenda escolar, assim, procuramos dar o suporte necessário às cooperativas.”

 
Boa parte do mérito pela crescente transferência de tecnologia em Minas Gerais é graças a Embrapa Milho e Sorgo, centro de pesquisa da empresa agropecuária nacional localizado em Sete Lagoas. José Heitor Vasconcellos, que é jornalista da Embrapa Milho e Sorgo e também um dos responsáveis pelas ações de transferência de tecnologia do projeto de biofortificação no Sudeste, acredita que o trabalho de difusão é constante e para isso vem ampliando o número de parceiros pelo estado.

 

“Estamos continuando a multiplicar, principalmente, feijão e milho. A região de Santana de Pirapama é muito forte em extensionismo e, agora, conseguimos ter cerca de mil agricultores familiares com acesso aos cultivos biofortificados na região do Vale do Jequitinhonha.”


Sudeste ganha novo parceiro no Rio de Janeiro

O estado do Rio de Janeiro também tem ajudado a aumentar a força de trabalho na região Sudeste. A Embrapa Agroindústria de Alimentos, situada na cidade do Rio de Janeiro, assinou um convênio com a Cooperativa de Pescadores e Agricultores Organizados (COOPAFO), do município de Araruama, para a transferência de variedades biofortificadas. O engenheiro de produção, Leandro Leão, é quem articulou a parceria e mantém a expectativa de que a Região dos Lagos passe a ter seu potencial produtivo mais explorado pela Embrapa e pela comunidade agrícola local

Criador do termo “biofortificação” fala sobre a importância do Brasil no combate a fome oculta

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Steve Beebe é pesquisador no Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e também uma das maiores autoridades no que diz respeito ao melhoramento de feijões. Após sua apresentação no Programa Cooperativo Centroamericano para Melhoramento de Cultivos e Animais (PCCMCA), em El Salvador, ele comentou sobre o importante papel que o Brasil vem exercendo não só na América Latina, mas em todo o mundo. “O modelo de trabalho no Brasil, que se aproxima da cesta básica de alimentos de determinada população, é admirável. Tudo fica ainda mais especial, quando estamos falando de um país que é um dos maiores produtores de feijões, tanto em termos de área plantada quanto de área colhida.” Beebe, que também atua junto do programa de pesquisa HarvestPlus, mostra otimismo em relação aos hábitos alimentares brasileiros. “Nos países desenvolvidos, as pessoas tendem a comer menos legumes, porém esse não é o caso no Brasil conforme o vemos se desenvolvendo. O país continua com uma boa dieta, o que é muito bom no longo prazo.”

 

O pesquisador lembra como os alimentos biofortificados têm sido um diferencial para o auxílio nutricional às crianças, principalmente, àquelas menores de dois anos de idade. Ele contou um pouco sobre o raciocínio utilizado na pesquisa, que dá importância aos primeiros mil dias de vida. “Esse período, que vai até os dois anos de idade, é crítico para o desenvolvimento do ser humano e, então, extremamente importante que nós sejamos capazes de suprir as gestantes e os recém-nascidos com os nutrientes necessários.” Aponta o melhorista.

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Em determinado momento do evento, ele aproveitou e contou como curiosidade a origem do nome “biofortificação”. “Eu estava com representantes da Fundação Bill e Melinda Gates e nós conversávamos sobre essa ideia, o conceito de aumentar os níveis de micronutrientes em cultivos básicos para a alimentação. Para explicar isso eu disse que seria como a fortificação, só que por meio de melhoramento convencional, podendo assim ser chamada de biofortificação.” Conclui Steve Beebe.

 

Realizado no período de 16 a 19 de maio, o PCCMCA 2017 reuniu aproximadamente 350 pesquisadores e contou com uma gama de apresentações e mesas de trabalho focadas em biofortificação. Os resultados alcançados no Brasil foram expostos por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que estavam representando o HarvestPlus America Latina e Caribe. Guilherme Abreu (Embrapa Cocais), Marília Nutti (Embrapa Agroindústria de Alimentos), José Luiz Viana de Carvalho (Embrapa Agroindústria de Alimentos) e Paulo Evaristo Guimarães (Embrapa Milho e Sorgo) explicaram o andamento das pesquisas de melhoramento de arroz e milho, assim como o fortalecimento nos esforços de transferência de tecnologia, que cada vez mais vêm encontrando espaço nos estados do Maranhão e Piauí.

 

O PCCMCA 2017 é uma realização do Centro Nacional de Tecnologia Agropecuária e Florestal “Enrique Álvarez Córdova” (CENTA).

Energia solar surge como potencial solução para falta de estrutura elétrica em áreas rurais carentes do Piauí

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o programa internacional de pesquisas, HarvestPlus, têm implantado kits de bombeamento de água por energia solar para suprir a falta de estrutura elétrica em regiões mais carentes do Piauí. A primeira unidade instalada com esse tipo de energia foi responsável por dar vazão a cinco mil litros de água por hora, sendo capaz de irrigar até oito vezes mais de área inicialmente prevista. Henrique Lima (19 anos) foi o primeiro proprietário a receber um kit desse, propiciando-o cultivar uma gama de variedades biofortificadas e crioulas, como milho, batata-doce, feijão, mandioca e etc.

 

“Hoje eu posso dizer que sou meu próprio patrão, não trabalho somente para sobreviver. Antes, estava vendendo cultivares de feijão-caupi convencionais a cinco reais o quilo. Agora, com a BRS Aracê, , de cor verde e rica em ferro e zinco, a demanda me permite vender a variedade a onze reais o quilo. Minha área de produção de biofortificados tem em torno de seis mil metros quadrados, meus amigos quando vêm aqui ficam super curiosos em conhecer, brinco falando que parece um museu. Sou muito agradecido à biofortificação.” Relata Henrique, que junto do padrasto, do irmão e da mãe cuidam da propriedade.

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A iniciativa pela implantação dos kits veio a partir da demanda por energia de qualidade e barata, pois ainda existem comunidades de pequenos produtores no estado do Piauí que vivem sem acesso a energia elétrica ou que muitas vezes acabam por ter sua irrigação inviabilizada devido ao alto custo do bombeamento de água feito de forma elétrica. Diante desse cenário, o programa brasileiro de biofortificação (BioFORT), coordenado pela Embrapa investiu junto com o HarvestPlus na aquisição dos kits, deixando com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) o investimento em kits de irrigação por gotejamento; com a Fundação Dom Edilberto, o investimento feito foi relacionado às perfurações de poços; e por último, escolas agrícolas deram sua parte de investimento formando os alunos enquanto que instituições, como o Centro Educacional São Francisco de Assis, contribuíram com assistência técnica. Todo esse apoio conjunto compõe a filosofia de segurança produtiva, essencial para garantir o sucesso da colheita no semiárido.

 

Em março de 2017, ocorreu a implantação da segunda unidade à base de energia solar no Piauí, dessa vez na cidade de Oeiras, na propriedade da agricultora Valdileia de Moura Silva (21 anos), que é só elogios aos alimentos biofortificados, principalmente, por permitirem a ela diversificar sua cadeia produtiva.

 

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“Estou alcançando a minha independência financeira e podendo fornecer não só apenas quantidade, mas também qualidade e, ainda por cima, respeitando sempre os limites do nosso meio ambiente, algo provido graças ao sistema de energia limpa. Como trabalhamos com a cadeia produtiva, uma atividade termina dando contemplação a outra. A agricultura familiar é isso, a união de várias atividades produtivas, uma dando subsídio a outra.” Aponta Valdileia, que se mostra orgulhosa de ter sucesso no ambiente rural, ainda majoritariamente masculino. “Realizo o meu sonho de trabalhar com prazer e naquilo que realmente acredito e tenho uma enorme satisfação, tanto pessoal quanto profissional, porque hoje sei que sou um exemplo como mulher e jovem para outros.”

 

O analista da Embrapa Meio-Norte e um dos principais coordenadores de biofortificação no Nordeste, Marcos Jacob de Almeida, contou um pouco mais a respeito do perfil esperado nos agricultores que estão recebendo os kits.

 

“Estamos no começo da implantação dessas unidades no estado, sendo coerentes em priorizar os mais jovens, com o objetivo de diminuir a falta de sucessão no campo, já que muitos filhos de agricultores acabam tendo que deixar a família para tentar a sorte com trabalhos de baixa remuneração em grandes centros urbanos. O trabalho começa tendo características de avaliação, com as próprias escolas agrícolas nos ajudando a identificar os alunos mais bem avaliados, os que demonstrarem maior interesse, os que possuírem uma produção agrícola regular e também aqueles que tenham comprometimento em desenvolver sua área rural, de modo a retornar para a sociedade o investimento feito neles.” Conta o Dr. Almeida para em seguida concluir a respeito da inovação que vem sendo feita no Piauí com a política de segurança produtiva. “Ao implantarmos essa cadeia de segurança produtiva, criando então as condições necessárias a boas colheitas, seguimos com a distribuição de sementes de qualidade, como é o caso das biofortificadas, aliando tudo isso a uma boa formação que o jovem terá da escola agrícola junto de uma instrumentação eficiente – aqui me refiro, justamente, aos kits de energia solar – teremos todos os pilares de uma agricultura familiar fortalecida e de referência.”

 

O terceiro kit já tem previsão de instalação e será implantado na comunidade quilombola chamada Canadá, localizada em Oeiras, onde da mesma forma haverá primeiro a instalação das fitas gotejadoras para irrigação direta na raiz das plantas e, consequentemente, a instalação seguinte será com placas capatadoras de raios solares responsáveis por provocar o bombeamento de água. A pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos e líder da Rede BioFORT, Marília Nutti, chamou atenção para como a biofortificação, indiretamente, acaba por fortalecer outros aspectos como o aumento de renda e a promoção de maior diversidade entre produtores.

 

“Temos muitas expectativas quanto aos trabalhos realizados no Nordeste. Prezamos pela diversidade cultural e agrícola de cada região, priorizando a construção de condições para o produtor ou produtora exercer sua total independência, inclusive, para fins comerciais, não apenas de subsistência. Outro aspecto admirável está relacionado com as várias experiências observadas, por exemplo, no Piauí, mostram como a biofortificação vem exercendo um papel importante em aproximar os jovens da ciência, com muitos egressos de escolas agrícolas e mesmo aqueles em último ano de formação mostrando uma vontade de ingressarem em universidades e continuarem estudando biofortificação. Isso é algo que já até virou realidade, onde constatamos diversos trabalhos de conclusão de curso no tema , o que nos anima , pois os estudantes estão abraçando o tema com comprometimento em melhorar a qualidade nutricional e produtiva dos alimentos.” Conclui a pesquisadora Marília Nutti.

 

Mais sobre biofortificação

A biofortificação é uma técnica de melhoramento convencional utilizada para aumentar os níveis de vitaminas e minerais de cultivos agrícolas, com o objetivo de combater a insegurança nutricional, popularmente conhecida como fome oculta. O Brasil apresenta um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação, sendo o único onde o trabalho é realizado ao mesmo tempo com oito culturas: abóbora, arroz, batata doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais, sendo a principal o programa de pesquisas HarvestPlus, que conta com a ajuda da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para coordenar o programa de biofortificação brasileiro (Rede BioFORT).

Biofortificação de alimentos terá investimento de quase nove milhões de reais no estado do Maranhão

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No dia 12 de abril, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Governo do Maranhão assinam convênio que irá garantir, por meio das instituições que compõem o sistema de agricultura do estado, aproximadamente oito milhões e meio de reais investidos para fortalecer a transferência de cultivos biofortificados no Maranhão. Essas variedades agrícolas possuem maiores teores de vitaminas e minerais, alcançados graças a técnica de melhoramento convencional conhecida como biofortificação. A Embrapa, com suas unidades, Embrapa Cocais, Embrapa Meio-Norte e Embrapa Agroindústria de Alimentos, juntamente com a parceria do programa global líder em biofortificação, HarvestPlus, irá mobilizar cerca de 500 mil reais como forma de investimento na agricultura familiar do Maranhão.

“O Maranhão está de braços abertos. Estamos adotando os cultivos biofortificados. Temos um grande grupo composto de 90 novos técnicos que estão sendo treinados nisso. Estamos também distribuindo sementes e, assim, expandindo o programa com a ajuda da Embrapa Meio-Norte. Nós planejamos comprar sementes o suficiente para plantar no estado. Acreditamos que essa parceria entre a Embrapa e o estado do Maranhão, com a Secretaria de Agricultura Familiar, teremos tudo para aumentar a produção de feijão-caupi.” Contou o secretário de Agricultura Familiar, Adelmo Soares.

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Tão presente no cotidiano atual, a diversidade tem pautado não só as relações sociais no território maranhense, como também a produção rural de pequenos agricultores optantes por diversificar as vendas de cultivos à programas públicos de alimentação escolar voltados para aquisição diretamente pela agricultura familiar. O Estado vem integrando jovens e crianças matriculados em 32 escolas da rede pública do município de Alto Alegre-MA, por meio do projeto “Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia”, com práticas de socialização multidisciplinar, aproximando os alunos de princípios de educação ambiental e agronômica de forma sistemática e direcionada ao currículo escolar, baseando-se na sustentabilidade e na segurança alimentar. Os alimentos biofortificados estão presentes em onze escolas e uma creche, cujo responsável técnico é o professor Francisco de Assis Gonçalves Andrade.

A instalação do projeto, especificamente, na cidade de Alto Alegre foi motivada devido ao seu baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maus hábitos alimentares e ausência local de políticas públicas voltadas para alimentos mais nutritivos.

“O Maranhão é o estado com uma das menores taxas de desenvolvimento humano no Brasil. É um estado que carece de muita coisa, de saúde a nutrição. Por conta disso, foi o primeiro estado em que o BioFORT, há 10 anos atrás, começou a investir em uma maior articulação, desenvolvendo pequenas atividades, até chegarmos nesse momento. Agora, estamos auxiliando os produtores quanto ao armazenamento dos grãos.” Realçou o pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos e, também co-líder da Rede BioFORT, José Luiz Viana de Carvalho.

 

Mais sobre a Rede BioFORT
A Rede BioFORT é coordenada pela Embrapa, sendo responsável por reunir os projetos de biofortificação de alimentos no Brasil pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisas, prefeituras e organizações internacionais, com o projeto de pesquisa HarvestPlus como principal financiador e aliado da Embrapa no gerenciamento da Rede BioFORT. O objetivo é garantir uma maior segurança alimentar através do aumento dos teores de ferro, zinco e pró-vitamina A na dieta da população mais carente, combatendo assim a fome oculta. A essência está em convencionalmente (sem transgenia) enriquecer alimentos que já fazem parte da dieta da população para que esta possa ter acesso a produtos mais nutritivos e que não exijam mudanças de seus hábitos de consumo. O Brasil é o único no mundo a trabalhar com oito cultivos: batata-doce, abóbora, arroz, feijão, trigo, milho, mandioca e feijão-caupi.

 

Mais sobre o HarvestPlus
O HarvestPlus age em escala global para melhorar a segurança nutricional, através do desenvolvimento e implantação de produtos alimentares básicos ricos em vitaminas e minerais. Trabalhando com diversos parceiros em mais de 40 países, o HarvestPlus é parte do Programa de Pesquisa em Agricultura (CGIAR). O CGIAR é uma parceria em pesquisa agrícola global com o objetivo de assegurar um futuro sustentável em alimentos. Sua ciência é realizada por seus 15 centros de pesquisa em colaboração com centenas de organizações parceiras. O programa HarvestPlus é coordenado por dois desses centros: o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI).

Biofortificação é semifinalista para ganhar 100 milhões de dólares em competição de soluções inovadoras

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O programa de pesquisas, HarvestPlus, líder global em biofortificação e também um dos principais parceiros dos projetos de biofortificação no Brasil, acaba de ser escolhido para figurar entre os oito semifinalistas da competição 100&Change, que premiará o vencedor com a quantia de 100 milhões de dólares garantidos pela Fundação MacArthur. O objetivo da campanha é incentivar financeiramente soluções inovadoras para problemas atuais.

 

A biofortificação é uma técnica de melhoramento convencional feita com cultivos agrícolas visando o aumento de vitaminas e minerais, como vitamina A, ferro e zinco para combater a insegurança nutricional, que dentre os sintomas causados estão a diarreia e a cegueira infantil. A Organização Mundial de Saúde (OMS, em português) estima que a má nutrição seja responsável pela morte de mais de três milhões de crianças com menos de cinco anos de idade.

 

“Sabemos que uma boa nutrição é essencial para o crescimento e desenvolvimento. Infelizmente, muitas crianças na África rural e em outras partes do mundo em desenvolvimento ainda sofrem com os devastadores efeitos da fome oculta. Elas podem não estar visivelmente famintas, mas suas dietas básicas carecem de micronutrientes essenciais para uma boa saúde”. Conta Bev Postma, CEO do HarvestPlus.”

 

No Brasil, a biofortificação tem sido coordenada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que reuniu os projetos da área sob o nome de Rede BioFORT, trabalhando a partir de um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação, pois o Brasil é o único país onde são conduzidos, ao mesmo tempo, trabalhos com oito culturas diferentes: abóbora, arroz, batata-doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais como o programa HarvestPlus, que consegue dar suporte financeiro por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, Banco Mundial e outras mais.

 

“O HarvestPlus já atingiu 20 milhões de pessoas em todo o mundo e nosso objetivo é alcançar um bilhão de pessoas até 2030.” Finaliza Bev Postma.

 

A Rede BioFORT tem obtido relevantes resultados nas regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil, onde cerca de 20.000 pessoas tiveram acesso a pelo menos um desses cultivares. A coordenadora da Rede BioFORT na América Latina e Caribe, e também pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti, destaca a implantação de 120 Unidades Demonstrativas nessas regiões, cujo material coletado é destinado à merenda escolar e famílias de produtores rurais dos municípios conveniados.

 

“As oito propostas ambiciosas exemplificam a paixão, alcance e criatividade das centenas de submissões que tivemos”, disse a presidente da Fundação MacArthur, Julia Stasch. “Esperamos que a competição inspire indivíduos e organizações a serem ousados e a pensar grande”.

 

O Conselho da Fundação MacArthur selecionará até cinco finalistas em setembro. Os finalistas apresentarão suas propostas durante um evento ao vivo em 11 de dezembro de 2017, antes que a Diretoria nomeie um único projeto para receber 100 milhões de dólares ao longo de até seis anos.

 

Mais sobre a 100&Change

A 100&Change é uma competição única para organizações em todo o mundo para a apresentação de propostas capazes de progresso real na solução de um problema crítico do nosso tempo em qualquer campo ou qualquer local. O concurso contou com 7.069 inscritos que submeteram 1.904 propostas para, em seguida, escolher desse montante 801 aplicações avaliadas em quatro: significado, verificabilidade, durabilidade e viabilidade. O Conselho da Fundação MacArthur fez a seleção final.

“Esperamos que essas propostas criativas beneficiem-se do feedback dos especialistas, da assistência técnica e da atenção do público. E que também consigam atrair investimentos de outras fontes, mesmo não ganhando a 100&Change “, disse Cecilia Conrad, Diretora Executiva da Fundação MacArthur, principal responsável por liderar a competição.

A Fundação MacArthur apoia pessoas criativas, instituições eficazes e redes influentes, criando um mundo mais justo, verde e pacífico.

FAO destaca avanços na América Latina e Caribe, mas alerta para alta de obesidade

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) disponibilizou no mês de janeiro de 2017 a publicação intitulada “América Latina y el Caribe: Panorama de la seguridad alimentaria y nutricional. Sistemas alimentarios sostenibles para poner fin al hambre y la malnutrición, 2016”, a qual se propõe a expôr os avanços em nutrição já alcançados na região, técnicas agrícolas adotadas entre produtores — como a biofortificação, e também alertar para o rápido crescimento da obesidade.

 

O documento identificou a biofortificação como uma das medidas para melhorar a saúde nutricional, destacando a iniciativa da Guatemala com a inauguração de seu programa de biofortificação, a Plataforma BioFORT.

 

Pode-se acessar o arquivo na íntegra clicando no link a seguir:

http://iris.paho.org/xmlui/bitstream/handle/123456789/33680/9789253096084-spa.pdf?sequence=1&isAllowed=y

 

Todo ano o material é publicado pelo escritório da América Latina e Caribe da FAO, sempre abordando um tema diferente. Essa é a primeira vez que a produção contou com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPS/OMS).

 

 

Fortalecimento de parcerias marcam 2016

O programa brasileiro de biofortificação (Rede BioFORT) termina o ano de 2016 fortalecido com a oficialização de suas parcerias e, consequentemente, o aumento de pessoas beneficiadas com os alimentos biofortificados, por meio do trabalho conjunto com atores públicos. O Governo do Maranhão formulou um acordo em conjunto com a Embrapa (responsável pela coordenação da Rede BioFORT) para atividades de transferência de tecnologia, garantindo incentivos para que os pequenos agricultores aumentem sua produção agrícola, especialmente na Região de Cocais, território que compreende 17 municípios com uma população total de cerca de 750.000 habitantes, dos quais 30% vivem em zonas rurais (11.739 famílias assentadas), segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

 

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Entre as outras atividades promovidas ao longo do ano, estão as realizadas com a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec), a Embrapa Agroindústria de Alimentos, a Prefeitura de Magé, o Centro Nacional de Tecnologia Agropecuária e Florestal (CENTA / El Salvador). O trabalho desenvolvido com estes parceiros foi caracterizado por formação de pessoal técnico e distribuição de sementes, sendo esta feita apenas pela Fundetec e pelo município de Magé.

 

A Rede BioFORT obteve resultados relevantes nas regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil, onde cerca de 20 mil pessoas tiveram acesso a pelo menos uma dessas cultivares. A coordenadora da Rede BioFORT na América Latina e Caribe, e também pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti, destacou a implantação de 120 Unidades de Demonstração nessas regiões, cujo material é coletado para ser servido nas refeições escolares e entregue às famílias de produtores rurais.

 

Mais sobre biofortificação

 

O Brasil apresenta um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação. É o único país onde o trabalho é realizado ao mesmo tempo com oito culturas diferentes: abóbora, arroz, batata doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais.

De acordo com os últimos dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 48% das crianças menores de cinco anos têm anemia (deficiência de ferro) e 30% têm deficiência de vitamina A. No Brasil, os números também são altos, com 55% das crianças menores de cinco anos apresentando deficiência em ferro e 13% em vitamina A.

Biofortificação de alimentos cresce no interior do Paraná e vira alternativa para agricultura familiar

A biofortificação de alimentos, técnica de melhoramento convencional, vem selecionando e aumentando o conteúdo de micronutrientes de cultivares da dieta básica do brasileiro. Novas culturas são geradas contendo maiores teores de pró-vitamina A, ferro e zinco, fortalecendo assim o combate à deficiência de micronutrientes no organismo humano, a popular fome oculta, que dentre as doenças provocadas, estão a anemia e a cegueira noturna. No Paraná, a biofortificação cada vez mais ganha adeptos no interior, mais precisamente, na cidade de Cascavel-PR, onde aproximadamente 120 famílias foram beneficiadas com esses alimentos, que no Brasil são desenvolvidos pela Embrapa.

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Um dia de campo sobre alimentos biofortificados está programado para acontecer amanhã, dia 9 de novembro, durante o período de 13h30 a 16h30, na cidade de Cascavel-PR, em plena Agrotec (área prática). Mais de 400 pessoas são esperadas para o encontro que deve reunir cooperados, técnicos agrícolas, pesquisadores e demais interessados em biofortificação. O evento é uma boa oportunidade para o agricultor passar a conhecer as variedades melhoradas, já que haverão palestras ministradas pelo pesquisador Alexandre Mello (Embrapa Hortaliças) e pelo jornalista José Heitor Vasconcellos (Embrapa Milho e Sorgo), além de distribuição de sementes de feijão (BRS Cometa), feijão-caupi (BRS Tumucumaque e BRS Xique-xique), milho (BRS 4104) e ramas de batata-doce (Beauregard).

 

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A Rede BioFORT é responsável por englobar todos os projetos de biofortificação de alimentos no país, sendo atualmente coordenada pela Embrapa. O Brasil apresenta um aspecto diferenciado dos demais países em relação ao desenvolvimento da biofortificação. É o único país onde são conduzidos, ao mesmo tempo, trabalhos com oito culturas diferentes: abóbora, arroz, batata-doce, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho e trigo. Os investimentos são feitos pelo governo federal, governos estaduais, instituições de pesquisa e organizações internacionais como o programa HarvestPlus, que consegue dar suporte financeiro por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, Banco Mundial e outras mais.

 

A Rede BioFORT tem obtido relevantes resultados nas regiões nordeste, sudeste e sul do Brasil, onde cerca de 20.000 pessoas tiveram acesso a pelo menos um desses cultivares. A coordenadora da Rede BioFORT na América Latina e Caribe, e também pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti, destaca a implantação de 120 Unidades Demonstrativas nessas regiões, cujo material coletado é destinado à merenda escolar e famílias de produtores rurais dos municípios conveniados.

 

Segundo os últimos dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 48% das crianças no mundo com menos de cinco anos de idade apresentam anemia (deficiência de ferro) e 30% possuem deficiência em vitamina A. No Brasil, os números também são altos, tendo 55% das crianças com menos de cinco anos de idade apresentando deficiência de ferro e 13% com deficiência em vitamina A.